terça-feira, 3 de setembro de 2013

3-9-13

Se eu pudesse embalar a vácuo os meus sentimentos
    
         saía pra uma bebedeira

os sentimento a vácuo
seguros
mantidos refrigerados num isopor com gelo.

         badalava a noite toda
                        com esse, aquele e com você

os sentimentos 
a vácuo
descansariam         até o dia daquela estréia
                                    até o dia daquele prêmio
                                          até a hora daquele adeus.

E aí sim, fora do isopor
me derretia toda 

e me abria em flor.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

25-06-13

Nunca fui daminha
nunca fui madrinha
oxalá, graças à deus!
só me responsabilizo
pelos erros meus.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

segunda-feira, 8 de abril de 2013

23-01-13

Nessa aridez de emoçoes eu não sei mais o que pensar.
Penso que sou só eu
Penso no que é distante
E me distancio de tudo.

As mucosas vão queimando
Ardem as mucosas
Ardem as vísceras
Árido desenrolar de dias

Malas empoeiradas,
Documentos amassados
Tudo é tom verde-pastel.

Os zíperes e as costuras se estufam até quase estourar

O peso é muito
A mala é grande

Mas esse vazio que ficou pra trás
Árido,
Esse vazio árido
Esse vazio queima e consome suas próprias cinzas.

Eu vou
Eu parto
Saio de dentro de mim

Nesse vazio, não há nada de que se possa sentir saudades.

sábado, 30 de março de 2013

Paraguaya

... E usa uma flor na cabeça não para enfeitar o cabelo, mas para adornar a alma.

14-03-13

Escuta, é preciso que tu entendas isso: assim como o óleo não se mistura com a água, por mais que tu queiras, eu nunca serei completamente ele. Talvez nem a metade.

03-05-11

processos

O processo criativo deve ser para o artista um estilo de vida. Penso todos os dias em coisas novas, cenas, intenções investigativas, argumentos. Penso em textos, tintas, em texturas, objetos cênicos, disposições arquitetônicas, devaneios abstratos, piração. Viver sem pensar teatro é menos que viver de fato. Viver sem fazer teatro é viver pela metade. Vejo o artista não como um cristo, mas como um abscesso que precisa ser perfurado. Precisa colocar pra fora todo o pus que a sociedade produz internamente e que só a sensibilidade da arte é capaz de detectar. O ator precisa perfurar esse abscesso existencial pra poder se curar, pra poder respirar e voltar à pseudo normalidade da sociedade epitelio/superficial.

13-05-11

Da Leveza e o peso
Tenho sentido uma vontade de dormir muito grande. Encosto-me e durmo, pisco os olhos e durmo. É como se o sono tivesse a capacidade de colocar todas as preocupações em segundo plano, como se ele de repente fosse um elixir de rejuvenescimento que aos poucos vai me fazendo esquecer tudo de ruim que foi se passando em minha vida até hoje - e fosse capaz de me fazer inocente de novo. Tenho um sono de criança. Um sono daqueles em que se sonha muito sobre coisas bobas e desconexas, que se sonha intensamente e se acorda descansado. Queria acreditar que esse sono fosse o elixir da leveza. Mas talvez essa vontade seja a maior e única ingenuidade desse sono. O homem é como uma caçamba cheia de areia. Por mais que por suas frestas escorram toda a carga no decorrer do caminho a caçamba, mesmo vazia, tem um peso descomunal.

11-06-11

Daqui do lado de dentro


Se eu penso no movimento físico de olhar pra dentro de mim, no movimento dos olhos voltando-se para dentro do meu corpo, esse movimento assemelha-se com o movimento de olhos de alguém que entra em transe, que escapa da consciência do cotidiano pra se hospedar por instantes em um plano além ou aquém disso tudo que se convenciona ser. Quando eu penso nesse movimento e nesse transe que é a viagem pra dentro de mim fica mais claro entender que “eu” sou alguma coisa que não pode ser medida ou comparada com essas palavras todas que se usa pra ler esse mundo de fora, esse mundo que fica pra além dos meus olhos físicos. O olhar, o meu olhar para dentro, é uma coisa que não pode ser medida com os sistemas métricos atuais, que não pode ser expresso com as palavras, sejam de qual idioma forem. Se eu penso nisso tudo, me acho louca por três segundos. No quarto, descubro que loucura é a cegueira interior.

13-06-11

Do peso



Alguns remédios para curar a dor são pílulas de sofrimento. Então o sofrimento natural que seria só do campo da dor em si passa para a cabeça, e para o estômago, e para o corpo todo e para a consciência da finitude. "Você" dói. E a dor faz paralisar. E desanima, e romantiza tudo. E de seis em seis horas o despertador te lembra da hora famigerada. Mais uma pílula de dor, mais um dia de peso. E de pílula em pílula, o corpo, cansado de doer, para. A dor de cabeça para, a dor no estômago para, o peso excessivo do corpo para. E você continua ali, parado. Acostumado. Sem nem saber mais porquê.

30-06-11

o beijo

 


o desejo
devora
o beijo

14-06-11

,

no tempo
em que fomos
um
éramos
mais
 
ou:
 
no tempo em que fomos
dois
errávamos
mais
 
 

06-08-11

Solo

só eu
sozinha
somente
entende?

07-08-11

Evento e Memória

Que saudade louca que tenho do passado! Não do evento em si, tenho saudade da lembrança.
A lembrança é viva, colorida, rica de olhares, toques e cheiros. O evento não. O evento é chato,
corriqueiro, banal, cansativo, estático. Já a lembrança vai se ajustando ao meu gosto, ao meu
momento, ao meu sabor. Quero voltar a viver o passado através da lembrança, mas não
queria nunca ter que retornar ao evento. O evento está gasto, engavetado, empoeirado.
Morto.

18-08-11

Alguém viu a arte passar?


O que é o agora? Onde estou?
Se eu 'estou' num estado de espírito, posso ter consciência do agora sem necessariamente estar espacialmente presente e vice-versa. Como posso definir algo de que não estou certa de que precisa de definição de minha parte? Vou falar do vazio e no momento em que digo isso este "vazio" já foi preenchido, violentado por minha idéias e minhas palavras. O vazio só permanece vazio em utopia. Então deixe, ... (melhor!): Vou falar do que pode haver dentro do vazio - sem que cheguemos de fato a realizar nenhum tipo de investigação adentrando essa película. Vamos respeitar o vazio no campo das suposições possíveis; o vazio que não pode ser visto por ninguém e que supostamente contém em si alguma coisa está lacrado "pra sempre". É uma obra de arte de valor cultural inestimável. Ninguém pode ver (...@ ...@ ...@) "Ninguém pode ver. É uma obra de arte" - é uma obra de arte? É mesmo uma obra de arte? Mesmo? Dizem os historiadores que essas são obras muito lindas, que remontam o início do nascimento da fala. Mas falam pra quem? Pra nós, que não podemos ver? E agora, como ficamos?

(imagem: frame do filme Melancholia)


22-09-11

 
Eu não sou de lugar nenhum.
Sou de mim mesma.

04-11-11

 
Vez ou outra era tomada pelo sentimento de que não merecia aquele amor. Agora não. Agora quero, posso, reivindico.

17-11-11

 
quero essa distância
preservo essa distância para que
eu possa ser eu
e você possa ser você.
assim, saberei que as coisas que eu gosto
em você
são completamente suas
e as coisas que você admira em mim são genuínas.
A distância por si só,
não tem o poder de separar - mas
ajuda a gerar compartimentos
onde cada um pode exer(SER) a sua complexidade.