Se eu penso no movimento físico de olhar pra dentro de mim, no movimento dos olhos voltando-se para dentro do meu corpo, esse movimento assemelha-se com o movimento de olhos de alguém que entra em transe, que escapa da consciência do cotidiano pra se hospedar por instantes em um plano além ou aquém disso tudo que se convenciona ser. Quando eu penso nesse movimento e nesse transe que é a viagem pra dentro de mim fica mais claro entender que “eu” sou alguma coisa que não pode ser medida ou comparada com essas palavras todas que se usa pra ler esse mundo de fora, esse mundo que fica pra além dos meus olhos físicos. O olhar, o meu olhar para dentro, é uma coisa que não pode ser medida com os sistemas métricos atuais, que não pode ser expresso com as palavras, sejam de qual idioma forem. Se eu penso nisso tudo, me acho louca por três segundos. No quarto, descubro que loucura é a cegueira interior.

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